A
ciência é uma das formas de conhecimento elaboradas pelo ser humano para
compreender racional e objetivamente o mundo com a finalidade de nele poder
intervir em seu próprio benefício. Visa tornar a natureza inteligível ao
apreender as regularidades existentes em um conjunto de fenômenos; tais
regularidades são expressas em leis e teorias que traduzem o esforço do homem
em conhecer e explicar os fenômenos naturais.
Segundo
Kneller (1980, p. 245-246) diz:
A tecnologia é
essencialmente uma atividade prática, a qual consiste mais em alterar do que em
compreender o mundo. Onde a ciência persegue a verdade, a tecnologia prega a
eficiência. Enquanto a ciência procura formular as leis a que a natureza
obedece a tecnologia utiliza essas formulações para criar implementos e
aparelhos que façam a natureza obedecer ao homem. Tal como a ciência,
entretanto, a tecnologia é uma entidade imensamente complexa que consiste em
fenômenos de muitas espécies – agentes, instituições, produtos, conhecimentos,
técnicas, etc.
Para
Medeiros e Medeiros (1993) a tecnologia é o conhecimento usado na produção ou
aperfeiçoamento de bens e serviços, ou seja, a tecnologia é todo um conjunto de
conhecimentos práticos ou científicos, aplicados à obtenção, distribuição e
comercialização de bens e serviços.
Para
estes autores a tecnologia está presente nos mais diversos setores da vida
humana, permeando as diversas atividades produtivas, com o intuito de
satisfazer desejos e necessidades, substituir e/ou simplificar o esforço físico
e mental despendidos na realização dos diferentes afazeres, bem como liberar
energias para tarefas mais criativas e interessantes.
A
Sociedade pode ser considerada segundo Essenburg e Silva (Cadernos de Estudos,
p.24):
(...) como um corpo
com estruturas em todos os níveis da vida social, baseada na reunião de
indivíduos que vivem sob determinado sistema econômico de produção,
distribuição e consumo, ordenado por um regime político, onde existem normas e
leis que são obedecidas pela sociedade como um todo.
Ciência,
Tecnologia e Sociedade estão intimamente interrelacionadas, porém, nem sempre
estão a serviço da promoção humana. Vários autores, tais como Aldous Huxley no
seu livro intitulado Admirável mundo novo, George Orwell em A Revolução dos
bichos, Ray Bradbury em Fahrenheit e Burhus F. Skinner em seu Walden II, chamam
a atenção, através destas obras, as sociedades futuras dominadas pela máquina e
pela tecnologia, organizadas politicamente sob forças de regimes totalitários,
em que o homem é constantemente manipulado, condicionado e dirigido a pensar,
agir e sentir como um autômato, sem vontade própria e sem liberdade.
Severino
(1992) ao mesmo tempo em que destaca a importância do desenvolvimento da
ciência e da tecnologia para o progresso da humanidade, adverte para os perigos
advindos da “instrumentalização da razão”. Em suas palavras (p. 184): “E a
ciência, que pretendia libertar os homens dos determinismos da natureza, das
doenças, da miséria, acabou se transformando numa nova forma de opressão para
os mesmos homens”!
No
que diz respeito a essa tríade ciência, tecnologia e sociedade, é possível
perceber três posicionamentos: otimismo que pensa na ciência e na tecnologia
como elementos que proporcionam o desenvolvimento social num crescente. O
pessimismo que vê a ciência e a tecnologia como mecanismos de dominação e alienação
social e, por último, uma atitude de moderação, que recomenda cautela e
prudência ao desenvolvimento científico e tecnológico, sobretudo, quando
prejudicial ao homem e ao meio ambiente.
Penso
que, dessa tríade, o fundamental é a sociedade, e mais especificamente o homem,
que é elemento fundamental dela. Tudo deve está a favor da promoção da vida
digna em sociedade. Então dessa forma, quando se pensa em formação da
sociedade, deve-se pensar: que sociedade queremos? Que tipo de cidadão queremos
formar para essa sociedade?
Claro
que estas perguntas nos reportam ao processo educativo, ou seja, à transmissão
de valores, de conhecimentos, de técnicas, enfim de toda cultura, de uma
geração para outra.
Daí
pode-se dizer que desde o inicio da educação básica, devemos nos preocupar com
a reflexão sobre a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade, pois, somente dentro do
processo educativo, as pessoas poderão pensar o desenvolvimento científico e
tecnológico de modo responsável, minimizando a alienação e otimizando a
valorização à vida, a preservação do nosso ambiente, a justiça social, a paz e
a inclusão social.
Penso
que é preciso se ensinar ciência nas escolas evitando-se uma visão mítica da
mesma, como um tipo de saber acima do bem e do mal; ao contrário disso, a
ciência e a tecnologia como saberes que são passíveis de erros e acertos, mas
que devem estar a serviço de uma vida melhor para todos.
REFERÊNCIAS
ESSENBURG
E SILVA. Ciência, Tecnologia e Sociedade.
Cadernos de Estudos. Brasília – DF.
KNELLER,
G. F. A ciência como atividade humana.
Trad. de Antonio José de Souza. Rio de Janeiro/São Paulo: Zahar/Edusp, 1980.
MEDEIROS,
José Adelino e MEDEIROS, Lúcia Atas. O
que é tecnologia. 1. ed. São Paulo: Brasilense, 1993.
SEVERINO,
Antônio Joaquim. Filosofia. São
Paulo: Cortez, 1992.
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sábado, 1 de fevereiro de 2014
A IMPORTÂNCIA DO SURGIMENTO DA (CTS) CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE NA EDUCAÇÃO.
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