domingo, 2 de fevereiro de 2014

“QUEM TEM FOME, TEM PRESSA”. (HERBERT DE SOUZA)

Nasce o homem
e junto vem a fome!
O homem abocanha
e mama, matando
logo a fome e a
fome renasce
faminta do homem.

Mesmo alimentado,
o homem sente
falta da fome,
que rodeia atendendo
a vontade do homem,
que tem fome de
matar a fome.

A fome devora o homem
que tem fome de tudo.
De quantas fomes
vive o homem e de
quantos homens
vive a fome?

Dentre todos animais,
com fome, o homem
sempre morre
pois nunca se satisfaz.
E nestas lutas de rivais
a fome é quem mata mais!

MarySSantos
Disponível em: <http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?=239246>. Acessado em 18 de mar. de 2013

            Tendo de escrever sobre a temática Fome, fiquei a pensar se algum dia já tinha passado fome. E, nas minhas lembranças veio a minha memória o período que se aproxima – a Semana Santa - que para os cristãos, é o momento de reflexão sobre a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Lembrei-me da época que fui seminarista e, nesse período, várias vezes fiz jejum. Nós, estudantes ao sacerdócio, éramos orientados a abster-nos dos alimentos como uma forma de ascese, de reflexão sobre os valores cristãos. Segundo Dom José Freire Falcão, Arcebispo de Brasília, “para o cristão, o jejum é, sobretudo, uma escola de domínio de si e combate espiritual. Jejuar por razões religiosas tonifica o espírito. A privação do alimento contribui para o domínio das tendências instintivas. Quem controla seu apetite, domina seus desejos”.
            Nesses dias de retiro e jejum, quanta fome passava! Na verdade, várias pessoas passam fome por algum motivo: por razões de saúde, de estética, de credos e até políticas (greves de fome), mas passar fome por falta de alimentos é cruel. Dói. Herbert de Souza, o Betinho, dizia que “quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi negado. É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio. A morte em vida”. Dizia também que “a fome é também o atestado de miséria absoluta e o grito de alarme que sinaliza o desastre social de um país”.  (Patrus Ananias. Direito à alimentação, assunto de política, 2009).
            Segundo o site http://www.sitedafome.com.br, existem 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo; 11 mil crianças morrem de fome por dia; um terço das crianças de países em desenvolvimento apresenta sério atraso no desenvolvimento físico e intelectual; 40% das mulheres em países em desenvolvimento apresentam casos de anemia e se encontram abaixo do peso ideal; uma pessoa a cada sete sofre os males da fome em todo o planeta.
            No Brasil cerca de 11 milhões de brasileiros se encontram na situação de insegurança alimentar, caracterizada pela ausência de uma alimentação regular saudável.
            Mas, qual seria a origem ou a causa de tanta fome no mundo? Marina Martinez diz no site http://www.infoescola.com, que as causas da fome podem está relacionadas com os seguintes fatores: Pobreza, questões naturais como: Clima, Terremotos, Seca, pestes, reforma agrária precária, má administração dos recursos naturais, conflitos Políticos e Civis, políticas econômicas mal planejadas, superpopulação, guerras, desigualdades sociais.
            Mas, ao avaliar de forma mais atenta a questão da fome como um fenômeno mundial, que corrói populações inteiras, observa-se que todos esses fatores contribuem para o agravamento do problema, porém, concordo com o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Governo Lula, Patrus Ananias, ao citar Herbert de Souza: “A alma da fome é política”. Segundo o ex-ministro “o combate à fome é também o combate à miséria humana. Isso demonstra a dimensão e a centralidade de uma política de segurança alimentar e nutricional na organização social e política de um país”.
Na cúpula da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) realizada em 1996, os Chefes de Estado e de Governo reafirmaram “o direito de toda pessoa a ter acesso a alimentos seguros e nutritivos, em consonância com o direito à alimentação adequada e com o direito fundamental de toda pessoa de estar livre da fome”. Também se comprometeram a implementar esse direito em sua totalidade e a realizá-lo, de uma forma gradativa, com o objetivo de garantir a segurança alimentar para todos.
Seguindo esse compromisso, nossa Constituição em seu Art. 6º reza: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010).
Pode-se afirmar que o problema da fome tem mais a ver com gestão pública, pois, nos anos 1980, 40% da população brasileira vivia em situação de extrema pobreza.
            Atualmente o problema persiste, porém não é tão grave. Atinge uma parcela menor da população, sendo a maioria habitante de zonas rurais e distantes, o que dificulta o acesso e a comunicação com outras regiões.  A fome destas populações está relacionada à falta de recursos para comprarem e adquirirem alimentos, sendo a região Nordeste a mais afetada.
            Uma prova da força política para minimizar o problema é o Programa Fome Zero, foi criado em 2003, para reduzir e combater a fome no país, incluindo cozinhas comunitárias, bancos de alimentação e até transferências de dinheiro, reduzindo a fome de mais de 44 milhões de famílias, também reduzindo em 73% a desnutrição infantil.
            Mas, evidentemente, temos muito a caminhar, pois como diz o final do poema de Mary Santos “E nestas lutas de rivais a fome é quem mata mais!”. Nesse sentido, “quem tem fome tem pressa”.

REFERÊNCIAS

ANANIAS, Patrus. Direito à alimentação, assunto de política. Disponível em < http://www.fomezero.gov.br/artigo/direito-a-alimentacao-assunto-de-politica-patrus-ananias>. Acessado em 18 de mar. de 2013

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

FALCÃO. D. José Freire. O sentido do jejum. Disponível em <http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=254>. Acessado em: Acessado em 18 de mar. de 2013.

MARTINEZ. Marina. Fome. Disponível em: <http://www.infoescola.com/sociologia/fome/. Acessado em 18 de mar. de 2013.

http://www.sitedafome.com.br/

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