SANTOS. Marcos Moura Baptista
dos. Sociedade em rede e modo de
desenvolvimento informacional: descrições sociológicas da sociedade
contemporânea sob o capitalismo avançado.
Este texto foi escrito como roteiro para aulas da disciplina de Sociologia
do Curso de Ciências Sociais da Unisc. Nele, o autor comenta que na passagem do
século passado para o atual, várias análises foram feitas destacando-se as
transformações ocorridas na sociedade contemporânea, nos aspectos econômico,
político, cultural, social e tecnológico, os quais mudaram radicalmente o modo
de produção do social, passando do modelo industrial para a chamada Sociedade
do Conhecimento.
Segundo ele, o desenvolvimento da técnica, da informatização e o processo
de globalização, colocam o conhecimento em uma situação privilegiada, a partir
do qual ocorre uma ruptura entre o modelo de produção industrial, denominado
Taylor-fordista, (caracterizado por compartimentalização de tarefas, hierarquia
de funções, divisão no planejamento e execução do trabalho) e a chamada
Sociedade do Conhecimento, na qual o sistema produtivo exige uma organização do
trabalho integrando os diversos setores e possibilitando práticas gerenciais
interativas, trabalho em equipe, as quais são responsáveis por todo um ciclo
produtivo; flexibilidade, polivalência, capacidade de reorganização e de
aprendizagem, diálogo e respeito à diferença de gênero e idade.
A nova ordem social, proporcionada pelo conhecimento ensejaria em uma
sociedade globalizada, altamente tecnizada, recaindo sobre o terceiro setor substancial
contribuição para o desenvolvimento econômico, tendo como base o conhecimento das
novas tecnologias da informação e da comunicação.
Para desenvolver seu pensamento, Sousa descreve as análises feitas por
quatro autores, que segundo ele, possibilitaria o entendimento da “revolução
que estamos atravessando (ou que nos atravessa)” na transição do século XX para
o novo milênio.
Adam Schaff em seu “A sociedade informática", 1985, mostra as
sociedades em meio à revolução da microeletrônica, que oferece muitas
possibilidades de desenvolvimento, mas também enormes perigos sociais, isto
porque, com o desenvolvimento da tecnologia, muitos postos de trabalhos seriam
substituídos por máquinas, e outros exigiram maior qualificação e capacidade
intelectual, o que impediria o acesso de muitos ao mercado de trabalho e,
consequente, exclusão social. Daí, Scharff sinala que este problema poderá ser
minimizado com a interferência do Estado, dos partidos políticos e das
entidades dos trabalhadores em defesa da democratização ao acesso dos cidadãos
às novas tecnologia e aos conhecimentos científicos necessários à integração
social e ao mundo do trabalho.
Alvin Toffler, em seu livro “Powershift”,
em 1990, vê o desenvolvimento da tecnologia de forma otimista, defendendo que
numa economia alicerçada no conhecimento o problema não é a distribuição da
riqueza, mas sim, dos meios de informação que produzem a riqueza. E que a
diminuição das tensões entre populações que ele as denomina de “inforricas e
infopobres” passaria pela articulação do sistema educacional com os meios de
comunicação, proporcionando o completo desenvolvimento dos processos de
interatividade, comunicabilidade e globalização.
Já Lucília Machado observa a emergência de um novo cenário na sociedade
capitalista caracterizado por novas relações no processo produtivo, com
expansão do terciário, novas relações trabalhistas, redefinição do trabalho
qualificado e não qualificado, resultando em maior competitividade e na
consequente exploração da classe trabalhadora, que agora necessita de novas
habilidades e competências para manter-se na cadeia produtiva. Explica que a
introdução das novas tecnologias exige um novo estilo do trabalhador mais
integrado, flexível, dinâmico, criativo, proativo etc., qualidades estas que
devem ser aprendidas durante a formação escolar.
Manuel Castells, em “A sociedade em Rede” 1999, descreve a sociedade
contemporânea como uma sociedade globalizada, centrada no uso e aplicação de
informação e conhecimento, cuja base material está sendo alterada
aceleradamente por uma revolução tecnológica concentrada na tecnologia da
informação e em meio a profundas mudanças nas relações sociais, nos sistemas
políticos e nos sistemas de valores. Enfatiza que isso ocorre devido à
tecnologia da informação, presente na maioria das atividades humanas. Afirma que, historicamente, as
sociedades são determinadas pelas relações de “produção, experiência e poder”,
porém, a nova estrutura social está associada ao surgimento de um novo modo de
desenvolvimento, o informacionalismo, no qual a informação é a matéria prima.
O modo de desenvolvimento são os "procedimentos mediante os quais os
trabalhadores atuam sobre a matéria para gerar o produto, em última análise,
determinando o nível e a qualidade do excedente". Cada modo de
desenvolvimento é definido pelo elemento que promove a produtividade. Assim, o
que define o modo informacional de desenvolvimento é a "ação de
conhecimentos sobre os próprios conhecimentos como principal fonte de
produtividade”.
Dessa forma, a sociedade estrutura-se em redes que “são estruturas
abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que
consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos
códigos de comunicação (...)”.
O surgimento da sociedade em rede torna-se possível com o desenvolvimento
das novas tecnologias da informação que, no processo, "agruparam-se em
torno de redes de empresas, organizações e instituições para formar um novo
paradigma sociotécnico".
O professor Marcos Santos escreveu e expôs com muita propriedade a
análise da sociedade feita pelos quatro autores citados, explicitando a
transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento ou informacional,
assim como todas as consequências que dela advém.
A análise feita pelos autores citados corresponde ao que estamos vivendo
neste novo milênio: o produto mais importante é o conhecimento. As sociedades
se diferenciam pelo capital cultural que cada uma possui, porém, percebe-se na
sociedade uma lacuna entre o mundo do trabalho e a escola. Schaff e Machado
ressaltaram a importância da escola como fomentadora do ensino pautado nas
novas tecnologias da informação e comunicação. Mas, percebe-se que a escola
está carente tanto das novas tecnologias como do ensino dos processos ligados a
ela. Se perguntarmos aos professores se eles usam as inovações tecnológicas na
sala de aula, tais como computadores, máquinas de calcular, data show,
filmadoras e a internet, bem poucos fazem uso de algum destes novos recursos de
ensino-aprendizagem. Por mais paradoxal que possa parecer, a escola, que tem a
função social de promover a integração dos indivíduos ao mundo do trabalho, a
continuidade dos estudos e o exercício da cidadania está caminhando lentamente
em relação ao desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento.
Outro aspecto importante diz
respeito às habilidades que devem ser desenvolvidas pelos cidadãos da sociedade
do conhecimento, tais como a capacidade de aprender a aprender, pesquisar,
trabalhar em equipe, criatividade, proatividade, empreendedorismo,
plasticidade, honestidade, engajamento político etc. São habilidades
necessárias ao processo de integração à sociedade informacional, as quais também
a meu ver não estão sendo observadas pelo sistema de ensino do qual faço parte.
Há também uma deficiência na
formação inicial dos professores que atuam na educação básica que tem formação
específica em determinada disciplina, porém carecem dos saberes relativos à
Didática e Metodologias de Ensino, assim como carecem dos saberes relativos às Ciências
da Informação e Comunicação.
O autor do texto é Sociólogo, mestre em Ciências Sociais, com
especialização em Antropologia Social e em Administração Universitária. Doutorando
em Sociologia. Professor do departamento de Ciências Humanas da UNISC.
O autor desta resenha é Licenciado em Filosofia, especializando-se em
História e Filosofia das Ciências e atua como professor de Filosofia no Ensino
Médio.
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