sábado, 1 de fevereiro de 2014

SOCIEDADE EM REDE E MODO DE DESENVOLVIMENTO INFORMACIONAL: DESCRIÇÕES SOCIOLÓGICAS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA SOB O CAPITALISMO AVANÇADO

SANTOS. Marcos Moura Baptista dos. Sociedade em rede e modo de desenvolvimento informacional: descrições sociológicas da sociedade contemporânea sob o capitalismo avançado.


Este texto foi escrito como roteiro para aulas da disciplina de Sociologia do Curso de Ciências Sociais da Unisc. Nele, o autor comenta que na passagem do século passado para o atual, várias análises foram feitas destacando-se as transformações ocorridas na sociedade contemporânea, nos aspectos econômico, político, cultural, social e tecnológico, os quais mudaram radicalmente o modo de produção do social, passando do modelo industrial para a chamada Sociedade do Conhecimento.
Segundo ele, o desenvolvimento da técnica, da informatização e o processo de globalização, colocam o conhecimento em uma situação privilegiada, a partir do qual ocorre uma ruptura entre o modelo de produção industrial, denominado Taylor-fordista, (caracterizado por compartimentalização de tarefas, hierarquia de funções, divisão no planejamento e execução do trabalho) e a chamada Sociedade do Conhecimento, na qual o sistema produtivo exige uma organização do trabalho integrando os diversos setores e possibilitando práticas gerenciais interativas, trabalho em equipe, as quais são responsáveis por todo um ciclo produtivo; flexibilidade, polivalência, capacidade de reorganização e de aprendizagem, diálogo e respeito à diferença de gênero e idade.
A nova ordem social, proporcionada pelo conhecimento ensejaria em uma sociedade globalizada, altamente tecnizada, recaindo sobre o terceiro setor substancial contribuição para o desenvolvimento econômico, tendo como base o conhecimento das novas tecnologias da informação e da comunicação.
Para desenvolver seu pensamento, Sousa descreve as análises feitas por quatro autores, que segundo ele, possibilitaria o entendimento da “revolução que estamos atravessando (ou que nos atravessa)” na transição do século XX para o novo milênio.
Adam Schaff em seu “A sociedade informática", 1985, mostra as sociedades em meio à revolução da microeletrônica, que oferece muitas possibilidades de desenvolvimento, mas também enormes perigos sociais, isto porque, com o desenvolvimento da tecnologia, muitos postos de trabalhos seriam substituídos por máquinas, e outros exigiram maior qualificação e capacidade intelectual, o que impediria o acesso de muitos ao mercado de trabalho e, consequente, exclusão social. Daí, Scharff sinala que este problema poderá ser minimizado com a interferência do Estado, dos partidos políticos e das entidades dos trabalhadores em defesa da democratização ao acesso dos cidadãos às novas tecnologia e aos conhecimentos científicos necessários à integração social e ao mundo do trabalho.
Alvin Toffler, em seu livro “Powershift”, em 1990, vê o desenvolvimento da tecnologia de forma otimista, defendendo que numa economia alicerçada no conhecimento o problema não é a distribuição da riqueza, mas sim, dos meios de informação que produzem a riqueza. E que a diminuição das tensões entre populações que ele as denomina de “inforricas e infopobres” passaria pela articulação do sistema educacional com os meios de comunicação, proporcionando o completo desenvolvimento dos processos de interatividade, comunicabilidade e globalização.
Já Lucília Machado observa a emergência de um novo cenário na sociedade capitalista caracterizado por novas relações no processo produtivo, com expansão do terciário, novas relações trabalhistas, redefinição do trabalho qualificado e não qualificado, resultando em maior competitividade e na consequente exploração da classe trabalhadora, que agora necessita de novas habilidades e competências para manter-se na cadeia produtiva. Explica que a introdução das novas tecnologias exige um novo estilo do trabalhador mais integrado, flexível, dinâmico, criativo, proativo etc., qualidades estas que devem ser aprendidas durante a formação escolar.
Manuel Castells, em “A sociedade em Rede” 1999, descreve a sociedade contemporânea como uma sociedade globalizada, centrada no uso e aplicação de informação e conhecimento, cuja base material está sendo alterada aceleradamente por uma revolução tecnológica concentrada na tecnologia da informação e em meio a profundas mudanças nas relações sociais, nos sistemas políticos e nos sistemas de valores. Enfatiza que isso ocorre devido à tecnologia da informação, presente na maioria das atividades humanas.             Afirma que, historicamente, as sociedades são determinadas pelas relações de “produção, experiência e poder”, porém, a nova estrutura social está associada ao surgimento de um novo modo de desenvolvimento, o informacionalismo, no qual a informação é a matéria prima.
O modo de desenvolvimento são os "procedimentos mediante os quais os trabalhadores atuam sobre a matéria para gerar o produto, em última análise, determinando o nível e a qualidade do excedente". Cada modo de desenvolvimento é definido pelo elemento que promove a produtividade. Assim, o que define o modo informacional de desenvolvimento é a "ação de conhecimentos sobre os próprios conhecimentos como principal fonte de produtividade”.
Dessa forma, a sociedade estrutura-se em redes que “são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (...)”.
O surgimento da sociedade em rede torna-se possível com o desenvolvimento das novas tecnologias da informação que, no processo, "agruparam-se em torno de redes de empresas, organizações e instituições para formar um novo paradigma sociotécnico".
O professor Marcos Santos escreveu e expôs com muita propriedade a análise da sociedade feita pelos quatro autores citados, explicitando a transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento ou informacional, assim como todas as consequências que dela advém.
A análise feita pelos autores citados corresponde ao que estamos vivendo neste novo milênio: o produto mais importante é o conhecimento. As sociedades se diferenciam pelo capital cultural que cada uma possui, porém, percebe-se na sociedade uma lacuna entre o mundo do trabalho e a escola. Schaff e Machado ressaltaram a importância da escola como fomentadora do ensino pautado nas novas tecnologias da informação e comunicação. Mas, percebe-se que a escola está carente tanto das novas tecnologias como do ensino dos processos ligados a ela. Se perguntarmos aos professores se eles usam as inovações tecnológicas na sala de aula, tais como computadores, máquinas de calcular, data show, filmadoras e a internet, bem poucos fazem uso de algum destes novos recursos de ensino-aprendizagem. Por mais paradoxal que possa parecer, a escola, que tem a função social de promover a integração dos indivíduos ao mundo do trabalho, a continuidade dos estudos e o exercício da cidadania está caminhando lentamente em relação ao desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento.
            Outro aspecto importante diz respeito às habilidades que devem ser desenvolvidas pelos cidadãos da sociedade do conhecimento, tais como a capacidade de aprender a aprender, pesquisar, trabalhar em equipe, criatividade, proatividade, empreendedorismo, plasticidade, honestidade, engajamento político etc. São habilidades necessárias ao processo de integração à sociedade informacional, as quais também a meu ver não estão sendo observadas pelo sistema de ensino do qual faço parte.
            Há também uma deficiência na formação inicial dos professores que atuam na educação básica que tem formação específica em determinada disciplina, porém carecem dos saberes relativos à Didática e Metodologias de Ensino, assim como carecem dos saberes relativos às Ciências da Informação e Comunicação.
O autor do texto é Sociólogo, mestre em Ciências Sociais, com especialização em Antropologia Social e em Administração Universitária. Doutorando em Sociologia. Professor do departamento de Ciências Humanas da UNISC.

O autor desta resenha é Licenciado em Filosofia, especializando-se em História e Filosofia das Ciências e atua como professor de Filosofia no Ensino Médio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário