Visitando
escolas de diferentes municípios maranhenses é fácil perceber a presença de uma
sala de informática, muitas delas com vários computadores interligados a rede
mundial de computadores, onde professores podem buscar subsídios para suas
aulas, assim como alunos podem fazer suas pesquisas escolares e outras.
Isso
é apenas uma mostra do que vem ocorrendo no mundo inteiro. Segundo a Associação
Brasileira de Tecnologia Educacional, de acordo com um estudo divulgado pela
Networked Readiness, o Brasil ocupa 59ª posição, das 134 maiores economias, no
que se refere ao uso de tecnologias da informação e comunição, como acesso a
telefones móveis e serviços de internet.
O
desenvolvimento de tecnologias da informação e comunicação proporcionou uma
revolução nas sociedades atuais, influenciando no mundo do trabalho, da saúde,
educação e da participação política (como são o caso de baixo-assinados,
passeatas etc., organizadas através de sites de relacionamento). Esse
desenvolvimento provocou uma nova denominação para sociedade, agora chamada de
sociedade do conhecimento ou informacional, caracterizada por um sofisticado
fluxo de conhecimentos, de tecnologias, processos produtivos, de comunicação e
interrelações pessoais. Segundo Aquino (2007, p. 210):
O novo paradigma
tecnológico reúne inovações técnicas, organizacionais, administrativas,
produtos e sistemas, incluindo processos sociais que representam a base
material da sociedade, caracterizada pela informação como matéria-prima e parte
integral de toda atividade humana (...).
Ao
ter acesso as novidades científico-tecnológicas pode-se ficar encantado com
tantos artefatos que ora invadem nosso cotidiano: televisores com imagem 3D, notebooks,
tablets, celulares que funcionam ao toque dos dedos, microcâmeras, aparelhos de
neuroimagens, procedimentos cirúrgicos menos incisivos, procedimentos bancários
online, aviões supersônicos, máquinas inteligentes utilizadas na construção
civil, na agricultura, novas técnicas de produção/ reprodução assistida, drogas
e procedimentos mais eficazes na cura de doenças, alimentos mais resistentes a
pragas e fungos etc. Tudo isso possibilitando melhor qualidade de vida às
populações modernas.
Porém,
se por um lado fica-se encantado com as maravilhas que os avanços
científico-tecnológicos podem nos proporcionar; por outro, apurando o olhar,
mais crítico, pode-se enxergar fatos que podem nos causar estranheza e, até
“certo ponto” sofrimento e revolta. Isso ocorre quando se vê a poluição
ambiental, armas de destruição em massa, crianças desnutridas, pessoas dormindo
em porta de hospitais para conseguir uma consulta, sem dinheiro para comprar um
remédio “comum”, vivendo em casebres ou dormindo em calçadas, esgoto a “céu
aberto”, sistema de transporte deficitários aos trabalhadores, substituição de
profissionais por máquinas, enfim, algumas pessoas mais abastadas, desfrutando
das benesses da ciência; enquanto uma maioria, totalmente desprovida de
recursos econômicos, cada vez mais distante de usufruir de tais benefícios.
Esses
fatos faz-nos questionar: de que adianta tanto desenvolvimento
científico-tecnológico se apenas aqueles que têm mais dinheiro, são os mais
beneficiados?
Penso
que o avanço tecnológico-científico é fato e que continuará ad infinitum, porém com horizontes não fatídicos, desde que novas revoluções
aconteçam.
Não. Não se trata de uma revolução do proletariado em termos marxistas.
Trata-se de uma revolução nas políticas públicas governamentais que viabilizem
o desenvolvimento de capacidades e competências individuais que possibilitem o
usufruto das novas tecnologias por uma grande maioria de pessoas. Além disso, é
preciso investir em
pesquisas, em infraestrutura básica, como escolas, hospitais, moradias, telecomunicações,
para maximizar a competitividade e o progresso, melhorando a qualidade de vida
das pessoas e, consequentemente, colocando o país em melhor posição para tirar
proveito no processo de crescimento econômico.
Mas, penso também que o
ponto de confluência para uma sociedade do conhecimento sem tantos espaços
díspares está na revolução do processo educativo escolar, não a única, mas uma
das principais.
Lamentavelmente, vemos um
fosso entre os processos de ensino-aprendizagem das escolas e o mundo dos
processos produtivos, o gera descrédito ou coloca sob suspeita a instituição
escolar.
Nossas escolas estão
educando para o obsoleto. Muitos professores nem sequer sabem manusear o
computador ou um data show. São apenas transmissores de conhecimentos inúmeras
vezes repetidos. Muitas escolas não tem laboratório de ciências da natureza,
faltam recursos didático-pedagógicos, as tecnologias não são usadas
adequadamente etc. Os alunos ficam pouco tempo na escola, muitos repetem
ano/série, evadem-se ou se tornam infrequentes.
Mas, ainda assim, a escola
é um dos principais espaços de democratização do conhecimento. É uma das
instituições que pode orientar para uma transformação da sociedade. Porém, é
preciso investir na formação e valorização do trabalho docente, equipar as
escolas com laboratórios de ciências e informática, capacitar toda a equipe
pedagógica das escolas no que se refere ao uso das novas tecnologias,
substituir a aula expositiva pelo ensino-construtivo, através da pesquisa
individual e coletiva, dentre outras medidas. Penso que assim, construiremos
uma sociedade do conhecimento mais integradora para todos.
REFERÊNCIAS
AQUINO,
Mirian de Albuquerque. A problemática
dos indivíduos, suas lutas e conflitos no turbilhão da informação. In:
Perspectivas em ciências da informação. v. 12, n. 2, p. 202-221, maio/ago, 2007.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
TECNOLOGIA EDUCACIONAL.
Disponível em <http://abt-r.org.br/index.php?option=com
content&task+view&id=590&=>. Acessado em 22 de abril de 2013.
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