sábado, 1 de fevereiro de 2014

REPERCUSSÃO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO COTIDIANO DO INDIVÍDUO

Visitando escolas de diferentes municípios maranhenses é fácil perceber a presença de uma sala de informática, muitas delas com vários computadores interligados a rede mundial de computadores, onde professores podem buscar subsídios para suas aulas, assim como alunos podem fazer suas pesquisas escolares e outras.
Isso é apenas uma mostra do que vem ocorrendo no mundo inteiro. Segundo a Associação Brasileira de Tecnologia Educacional, de acordo com um estudo divulgado pela Networked Readiness, o Brasil ocupa 59ª posição, das 134 maiores economias, no que se refere ao uso de tecnologias da informação e comunição, como acesso a telefones móveis e serviços de internet.
O desenvolvimento de tecnologias da informação e comunicação proporcionou uma revolução nas sociedades atuais, influenciando no mundo do trabalho, da saúde, educação e da participação política (como são o caso de baixo-assinados, passeatas etc., organizadas através de sites de relacionamento). Esse desenvolvimento provocou uma nova denominação para sociedade, agora chamada de sociedade do conhecimento ou informacional, caracterizada por um sofisticado fluxo de conhecimentos, de tecnologias, processos produtivos, de comunicação e interrelações pessoais. Segundo Aquino (2007, p. 210):

O novo paradigma tecnológico reúne inovações técnicas, organizacionais, administrativas, produtos e sistemas, incluindo processos sociais que representam a base material da sociedade, caracterizada pela informação como matéria-prima e parte integral de toda atividade humana (...).

Ao ter acesso as novidades científico-tecnológicas pode-se ficar encantado com tantos artefatos que ora invadem nosso cotidiano: televisores com imagem 3D, notebooks, tablets, celulares que funcionam ao toque dos dedos, microcâmeras, aparelhos de neuroimagens, procedimentos cirúrgicos menos incisivos, procedimentos bancários online, aviões supersônicos, máquinas inteligentes utilizadas na construção civil, na agricultura, novas técnicas de produção/ reprodução assistida, drogas e procedimentos mais eficazes na cura de doenças, alimentos mais resistentes a pragas e fungos etc. Tudo isso possibilitando melhor qualidade de vida às populações modernas.
Porém, se por um lado fica-se encantado com as maravilhas que os avanços científico-tecnológicos podem nos proporcionar; por outro, apurando o olhar, mais crítico, pode-se enxergar fatos que podem nos causar estranheza e, até “certo ponto” sofrimento e revolta. Isso ocorre quando se vê a poluição ambiental, armas de destruição em massa, crianças desnutridas, pessoas dormindo em porta de hospitais para conseguir uma consulta, sem dinheiro para comprar um remédio “comum”, vivendo em casebres ou dormindo em calçadas, esgoto a “céu aberto”, sistema de transporte deficitários aos trabalhadores, substituição de profissionais por máquinas, enfim, algumas pessoas mais abastadas, desfrutando das benesses da ciência; enquanto uma maioria, totalmente desprovida de recursos econômicos, cada vez mais distante de usufruir de tais benefícios.
Esses fatos faz-nos questionar: de que adianta tanto desenvolvimento científico-tecnológico se apenas aqueles que têm mais dinheiro, são os mais beneficiados?
Penso que o avanço tecnológico-científico é fato e que continuará ad infinitum, porém com horizontes não fatídicos, desde que novas revoluções aconteçam.
Não. Não se trata de uma revolução do proletariado em termos marxistas. Trata-se de uma revolução nas políticas públicas governamentais que viabilizem o desenvolvimento de capacidades e competências individuais que possibilitem o usufruto das novas tecnologias por uma grande maioria de pessoas. Além disso, é preciso investir em pesquisas, em infraestrutura básica, como escolas, hospitais, moradias, telecomunicações, para maximizar a competitividade e o progresso, melhorando a qualidade de vida das pessoas e, consequentemente, colocando o país em melhor posição para tirar proveito no processo de crescimento econômico.
Mas, penso também que o ponto de confluência para uma sociedade do conhecimento sem tantos espaços díspares está na revolução do processo educativo escolar, não a única, mas uma das principais.
Lamentavelmente, vemos um fosso entre os processos de ensino-aprendizagem das escolas e o mundo dos processos produtivos, o gera descrédito ou coloca sob suspeita a instituição escolar.
Nossas escolas estão educando para o obsoleto. Muitos professores nem sequer sabem manusear o computador ou um data show. São apenas transmissores de conhecimentos inúmeras vezes repetidos. Muitas escolas não tem laboratório de ciências da natureza, faltam recursos didático-pedagógicos, as tecnologias não são usadas adequadamente etc. Os alunos ficam pouco tempo na escola, muitos repetem ano/série, evadem-se ou se tornam infrequentes.
Mas, ainda assim, a escola é um dos principais espaços de democratização do conhecimento. É uma das instituições que pode orientar para uma transformação da sociedade. Porém, é preciso investir na formação e valorização do trabalho docente, equipar as escolas com laboratórios de ciências e informática, capacitar toda a equipe pedagógica das escolas no que se refere ao uso das novas tecnologias, substituir a aula expositiva pelo ensino-construtivo, através da pesquisa individual e coletiva, dentre outras medidas. Penso que assim, construiremos uma sociedade do conhecimento mais integradora para todos.


REFERÊNCIAS

AQUINO, Mirian de Albuquerque. A problemática dos indivíduos, suas lutas e conflitos no turbilhão da informação. In: Perspectivas em ciências da informação. v. 12, n. 2, p. 202-221, maio/ago, 2007.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL. Disponível em <http://abt-r.org.br/index.php?option=com content&task+view&id=590&=>. Acessado em 22 de abril de 2013.



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