segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O CÍRCULO DE VIENA E O POSITIVISMO LÓGICO



         O Círculo de Viena deu inicio à Filosofia Contemporânea da Ciência. Teria surgido nas duas primeiras décadas do século XX, sendo responsável pela criação de uma corrente de pensamento intitulada positivismo lógico. Este movimento surgiu na Áustria, como reação à filosofia idealista e especulativa que prevalecia nas universidades alemãs, principalmente, influenciada pelo pensamento kantiano. A partir da primeira década do século, um grupo de filósofos austríacos iniciou um movimento de investigação que tentava buscar nas ciências a base de fundamentação de conhecimentos verdadeiros.
Este movimento buscava na experiência e no valor de verdade último de suas proposições, auxiliado pelas regras da lógica e dos procedimentos matemáticos, a fundamentação do conhecimento científico. Por isso, ficou conhecido como Positivismo lógico, ou Empirismo lógico. Este grupo foi formado por Philipp Frank (1884-1966), Otto Neurath (1882-1945) e Hans Hahn, aos quais se incorporaram na década de vinte, Moritz Schilick e Rudolf Carnap, que logo passaram à condição de seus mais ativos membros. Em 1929, Carnap, Hahn e Neurath publicaram um manifesto denominado de “A Concepção Científica do Mundo: o Círculo de Viena”. Estava, assim, formado este movimento.
O Círculo de Viena era composto por cientistas que, apesar de atuarem em várias áreas, tais como física, economia, etc., buscaram resolver problemas de fundamento da ciência, problemas estes levantados a partir do descontentamento com os neokantianos (ou seja, os seguidores do pensamento de Immanuel Kant) e os fenomenólogos (seguidores de Hegel). Schlick, por exemplo, tentou mostrar o vazio dos enunciados sintéticos a priori, de Kant, declarando que 1º se os enunciados têm uma verdade lógica, então eles são analíticos e não sintéticos e, 2º se a verdade dos enunciados depende de um conteúdo factual, eles são, portanto, a posteriori e não a priori. Isto porque Kant considerava que existiam dois tipos de conhecimentos: o conhecimento empírico (a posteriori – depois da experiência) os era elaborado a partir de juízos sintéticos e o conhecimento puro ou a priori, os quais resultavam em juízos analíticos, ou seja, que independiam da experiência.
As principais influências recebidas pelos filósofos do Círculo de Viena são: o pensamento do positivista Ernst Mach (1838-1916), a lógica de Russell, Whitehead, Peano e Frege, bem como os novos paradigmas da física contemporânea, especialmente as descobertas de Einstein. Determinante foi, ainda, a filosofia de Wittgenstein. A leitura de seu Tractatus Logico-Phylosophicus (que trata do problema da linguagem) permitiu ao grupo levar ao máximo alcance filosófico a compreensão da nova lógica, possibilitando, assim, incorporá-la a uma interpretação empírica dos fundamentos do conhecimento.
Dessa maneira, Schlick e seus colaboradores tentaram formular um critério de cientificidade que pudesse ou que tivesse uma correspondência com a Natureza. Por isso, o Círculo vienense adotou uma forma de empirismo indutivista (formulação de enunciados que partem da observação de casos particulares para inferir proposições gerais ou universais), que se utiliza de instrumentos analíticos como a lógica e a matemática para auxiliar na formação dos enunciados científicos.
Daí adotou o critério da verificabilidade. Para os pesquisadores do Círculo de Viena os enunciados científicos deveriam ter uma comprovação ou verificação baseada na observação ou experimentação. Isto era feito indutivamente, ou seja, estabeleciam-se enunciados universais (pois a ciência tem pretensão de universalidade) a partir da observação de casos particulares.
O resultado do estabelecimento deste critério surgiu também a partir da concepção de linguagem de Wittgenstein que os membros do Círculo de Viena utilizaram. Para ele, o mundo era composto de “fatos” atômicos associados e, assim, expressariam sua realidade. Daí os enunciados gerais poderem ser decompostos em enunciados elementares referentes ou congruentes à Natureza, o que exclui os enunciados metafísicos do processo de conhecimento.
Portanto, a indução foi o método utilizado porque, além de proceder experimentalmente, proporcionava um caráter de regularidade que permitia que se emitissem juízos universais. Esse critério atesta o caráter anti-metafísico do Círculo Vienense, pois para eles, o que é metafísico não pode ser considerado científico, ou seja, não pode ser submetido ao procedimento da observação e da mensuração matemática, logo, não diz respeito à Ciência.


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